segunda-feira, 21 de julho de 2008

Alegria, Alegria

Tem algumas (poucas) pessoas que fazem parte de mim e isso é (quase) uma experiência celular. Elas chegam e ficam sem fazer força e sem dificuldade. É com elas que tenho vontade de sentar e rir por horas, de encontrar um novo achado e sair correndo pra contar, de ligar só pra perguntar se está tudo bem. São do mundo e nele, são minhas. Alegria cotidiana saber disso. Partes de mim.

Parceiros de crime.

Pedras preciosas.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Aba!

Acho que toda vida olhada de perto tem um quê de maluco. A minha não foge a essa regra e mesmo me colocando em tour constante em montanhas-russas (com direito a loopings e adrenalina forte), a danada arrumou um jeito de me amansar. Pelo menos parte de mim. Logo eu que jurava que ia ser uma porta pra sempre (investia nisso arduamente) tenho aprendido a amar. E há exatos onze meses tenho estado mais feliz e colorido. A vida não virou do avesso e eu não casei e tive onze filhos, nem virei uma pessoa super alegre que ri pras paredes (mas isso acontece as vezes!). O que acontece na verdade é que ando bem acalentado e aconchegado. No mesmo embalo de Audrey cantando aqui embaixo!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Despreparado pra queda

E o mês de maio vem chegando de mansinho e no horizonte já começa a aparecer uma pontinha do meu inferno astral. Acho que já sabia que ele junto com uma queda recente não seriam fáceis, mas mostrar toda minha falta de fé é muito hard! Essa coisa de vida adulta, de realização e muitos outros blábláblás tem me enchido o saco como nunca e minha raiva, antiga aliada que me fazia sair por aí gritando e cuspindo, agora só me faz chorar. Tenho andado frágil, com caco pra todo lado, mas verdadeiro pra caramba. Ô ciranda da minha vida!

terça-feira, 8 de abril de 2008

I've got Nina!

Meu tempo agora é de não ter quase nada, ando mesmo sem lenço nem documento. E pra me confortar tenho visto repetidamente Nina Simone cantando uma versão de "Ain't got no...i've got life", canção do musical setentinha Hair (setentinha é velho mesmo, ?). O vozeirão de Nina e sua rebeldia incontida me alegram profundamente. Thank God I've got Nina!


domingo, 6 de abril de 2008

Casa na laje

A minha vida andarilha me joga pra onde quer e só me resta mesmo viver o que ela me reserva. Sempre foi assim, mudanças e mudanças que me reviram do avesso e me fazem descobrir poucas das milhões de coisas que existem nesse mundo que não se acaba. O último grande presente foram quase dois anos morando no primeiro apartamento fora da casa dos pais num pequeno vôo para fora do ninho. Todos esses dias foram de fortes experimentações de Iran: o Iran que dá conta, o Iran que limpa, o Iran que se irrita, o que ama, o por si, o que se alegra fácil, o que tem amigos, dança sozinho e viaja na sua cabeça e tantos outros. Foram vários sorrisos, abraços, beijos, festas, chororôs, estranhamentos, irritações e vitórias, tudo sempre muito bem acompanhado. E com isso tenho certeza que tenho mais um dos portos seguros que construí na minha vida. São amigos e lembranças de fibra. E agora, quando caem as fichas de que as únicas coisas concretas que tenho são roupas, livros e cds, uma ventania forte é anunciada. Minhas asas estão aqui, um tanto quanto mais fortes e agradecidas a vida, e é chegada a hora de voar. Sou nômade. Nômades não podem parar.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Bye Bye Baby!

Algumas coisas, depois de perdidas, (quase) nunca podem ser recuperadas.

Outras tantas nunca vieram a existir por causa disso. E assim vai se formando a roda viva: você é criança e demanda uma atenção que não lhe é muito dirigida, a figura paternal é um daqueles pequenos bibelôs que não chegam a servir pra muita coisa e, além disso, dentro daquele pequenino ser já existe uma alma, um tanto rebelde e autêntica. Pronto, passado algum tempo o cenário perfeito para fortes choques de opinião e rompimentos (sucessivos) de vínculos é (inevitavelmente) montado. E o bibelô fica ali empoeirando e deus sabe quando será limpo. Será que isso tem prazo de validade?

segunda-feira, 17 de março de 2008

Face it

Depois de um filminho leve que bateu em mim feito ventania, percebi que minha nudez e minha crueza inteiras, mesmo que raras, fazem muito bem ao meu mundo. Meu menino sonhador, minha velha coroca, meu jovem neurótico e tantos outros são todos partes de mim e se mostram quando eu quero ou quando tenho capacidade de segurá-los. Todos tão diferentes são ao mesmo tempo fios importantíssimos da minha teia. E quando bato os olhos no espelho e consigo vê-los ali, juntos, é que me dou conta do Iran que sou porque dou conta assim e porque aprendi a ser assim.