sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Leveza

E na hora de enfrentar meu dragão, o coração pulou na boca e os olhos quiseram chorar. Juntei meu último pedaço de trapo, respirei fundo e a boca foi abrindo e um tantão de monstro foi saindo. Meu bauzinho (quase hermético) de tranqueiras se abriu e consegui falar e também ouvir. O corpo todo tremeu, misturando culpa, olhos marejados, dor e mais um monte de coisas. E surpreendentemente ouvir foi tão importante quanto falar. E meu coração ficou tão pequenino e apertado que coube na palma da minha mão. Agora sei que problemas de comunicação me deixam completamente paranóico mas conversar, me expôr e ouvir as outras partes envolvidas me limpa mais que criolina. Ah! e minha língua nem é tão pequena assim.

(Aquarela também da misscapricho).

Lava

O hábito de aguentar calado há tempos páira por aqui. E dentro da falsa calmaria moram uma ansiedade de explosão, uma irritação digna dos velhinhos mais ranzinzas e um turbilhão de pensamentos soltos. Aí, na importante hora de pôr a boca no mundo, a garganta seca e a danada da língua que morava ali parece ter fugido. Por quê não falar?

Educação tolhedora, medo de assumir riscos ou a puta que o pariu... só sei que agora quero aguentar mais nada não e ainda quero 2 metros de língua adicionais. Solta a mordaça, Anastácia!

(aquarela de misscapricho. densidade mais leve não há!)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Caiu! (dos olhos de Iansã)

E quando eu me resignei e me rendi ao calor desértico que dominava essa cidade, de madrugada os ventos sopraram a chuva. E ela me acordou pela minha janela aberta, rendendo um colchão molhado e um sorriso feliz. Não sou mesmo dado ao aquecimento global. Ai ai ai!

sábado, 13 de outubro de 2007

Vadiagem

Início de semana abarrotado. Aí vem chegando um feriado já esperado e no meio da semana você já é embalado por música e conversinhas (gostosas) à toa. E o que segue são mais noites e mais conversinhas (agora ao pé do ouvido), abraços fortes, músicas, reboladas, puxadas de cabelo, beijos (...) E as tais noites ficam vadias. Bem vadias mesmo.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Os tremeliques de Cinira

Cinira e Amorzinho não se desgrudavam, as duas beatas andavam pra cima e pra baixo em Santana do Agreste. A primeira não podia ver, pensar ou sentir-se atraída por um "cabra" que se tremilicava todinha. A segunda mais do que rápido, gravemente gritava: Ciniraaaaaaa! E a danadinha da Cinira se recompunha e retomava sua 'santa beatitude'. Hoje a tarde me senti a própria Cinira, tremilicando da carne até os cabelos e a causa não foi tesão, mas minha já conhecida ansiedade. Já a coloquei diversas vezes nessa roda e aqui vai mais: ainda me assusto com como um papo besta, no meio da tarde, pode me colocar pra pensar em um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. A cabeça fica tão cheia que uma solução é tremer pra ver se um tanto dos pensamentos pula pra fora. Como a tremida não resolveu, a Amorzinho em mim gritou bem alto: 'Ciniraaaaaaaaa!', e funcionou bem. Minha Cinira respirou fundo e se recompôs. Pronto, achei mais uma forma de dar um jeito na bicha arisca da Ansiedade.

E pra relembrar Cinira e Amorzinho em Tieta, espiei aqui e também aqui.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Chita

Tô mesmo agarrado com a macaca e gosto muito. Beijo minha chita!

domingo, 9 de setembro de 2007

Clá

'Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber. À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta.
A que diz palavras. Palavras ao vento? Que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos
ventos uivantes me chama.'

Clarice Lispector (A descoberta do mundo)